4.1.09

O mar e o sorriso

Luz do sol de fim de tarde aumentando a minha sede. Areia atiçando meus pés. Pernas satisfeitas do girar as rodas da bicicleta. Braços enrijecidos pelos remos do caiaque. Areia. Corpo tenso. Sede. Correr. Mar. Encontro.
Mergulhar. Continuar mergulhando. Esquecer.
O mar leva a água salgada do meu rosto. Minhas angústias. Relaxa meu corpo. Me entrego à sua profundidade infinita.
Respiro.
Ainda não. Mais um pouco. Mais fundo.
Mente limpa.
Luz.

Alma em paz.
Fluir.

4.1.07

Sorriso cor-de-terra

Ao longe vi sua silhueta, e de longe o observei de perfil, quase de costas. Quando me aproximei cumprimentei e sustentei o olhar tanto quanto pude, bem menos do que gostaria, bem mais do que me julgava capaz. O aperto de mão era firme, seguro de si. Se estendeu por um instante breve o suficiente para selar a cordialidade e ao mesmo tempo a tensão.
E então o sorriso. O sorriso cor-de-terra. A camiseta cor-de-terra batida, o sorriso a evocar o gosto de aventura e o cheiro da terra molhada pela chuva fina.

Teve que partir.
A garoa fina voltou a deitar pingos sobre a terra.
Eu não pude me sujar.

23.10.06

Quem mostra primeiro?

Depois de dois congressos de cinema a pergunta é: e amor de Mostra, dura?

(Ok isso aqui já teve questões mais intrigantes, enfim)

8.8.06

G4

Me disseram que amor de FIAF não dura.
E amor de Visible Evidence. Será que dura?

22.6.06

Give me G

Comprei uma camiseta tamanho G da seção boys.
Bem mais legal que comprar uma camiseta tamanho P da seção men's.
E olha que nem sou pedófilo.

30.4.06

Durante a última semana eu estive confirmando vôos internacionais de passageiros que sequer tinham o telefone da companhia aérea. Expliquei mais de uma vez que São Paulo não estava dividida em dowtown e uptown, e que o subway não chegaria até todos os lugares onde gostariam de estar. Decorei nomes de pessoas que nunca cheguei ver o rosto, tantos foram o número de vezes que tive que checá-los em diversas listas.
Estreitei laços com meus colegas de trabalho. Descobri virtudes neles que desconhecia ainda que nos víssemos diariamente. Redescobri aptidões em mim que havia muito estavam obscurecidas.

Um canadense se surpreendeu quando perguntei se seu sobrenome era de origem báltica.
Conheci pessoas novas.
O israelense disse que se sentiu muito bem tratado.
A maioria provavelmente eu nunca mais veja.
O suíço me perguntou if i was interested in girls enquanto estávamos no táxi indo pra balada.
Algumas eu gostaria de poder ver para sempre.
A australiana me perguntou se meu trabalho era voluntário.
Na noite da festa de despedida eu bebia uísque enquanto imagens de filmes mudos rodavam em vinte e quatro quadros por segundo projetados sobre um imenso telão sobre a grama.
Eu disse que sim.
O cara de Hong Kong me perguntou se eu não deveria estar me divertindo mais.
Eu disse que a desilusão amorosa da noite já havia acontecido.
Jovens se aborrecem facilmente.
Que venha o próximo ano.

22.4.06

Think of me when you close your eyes
But don't look back when you break your ties
Yeah think of me when you're coming down
But don't look back when leaving town today

26.3.06

Phil Collins sabe das coisas

Just give me one more night.
So I can live forever.

19.3.06

Crash into me. Really.

Ontem eu fugi do casamento de um colega de infância. Coleguinha, desses do prédio. Longínquos tempos em que frequentávamos a casa um do outro, jogávamos videogame, can-can e chegamos a fundar um clubinho.

Fugi. Não fui. Mal vejo o rapaz há anos, não sei o que faz atualmente, não conheço sua namorada. Mas a festa foi no salão do prédio. Eu poderia ter ido. Mamãe e papai compareceram. E ainda havia um amigo (eventual leitor desse blog) inesperadamente entre os convidados. Mas eu não encarei.

Mas não adiantou.

Sábado de madrugada, voltando de um cineminha à meia-noite.
Entro no prédio e vejo um rapaz interessante de costas. Ele anda devagar, parece levemente embriagado. Mais tarde vejo que ele tem uma lata de cerveja na mão. Acho que não o conheço.

Entro no elevador e descubro que estava enganado. O jovem em questão é o terceiro membro do tal clubinho pré-pré-adolescente. Fico tenso. Não sei quem ele é hoje. Ou talvez saiba. Um pouco. O cara mora no apartamento em cima do meu. E durante anos dormi no quarto embaixo do dele. Tínhamos um clubinho de amigos. Talvez falido. Porém sincero.

Ontem eu evitei ir atrás de um passado e descobrir alguma coisa diferente. Alguma coisa verdadeira. Qualquer coisa. Eu evitei. Mas não adiantou. A descoberta veio até mim. E só fez aumentar minha dúvida. Minha angústia e minha ansiedade. Sobre se eu pretendo encarar meus futuros relacionamentos com a mesma perda de intimidade. Ou se irei fazer alguma coisa a respeito.

6.3.06

Crash into me

Tomaram no cu.
E dessa vez não gostaram.